silvio

Semi-anarfa em Cultura, mas consciente desta condição, dando pitacos!

P. Schmidt, continuando o nosso debate iniciado no Blog do Grota:

Pois é cara. Não sou o mais indicado para debater Cultura porque nem me ligo muito, sei apenas “an passand” alguma coisa. Na faculdade mesmo era um dos poucos da minha turma que não se ligava em Cultura enquanto “especialidade” dentro do Jornalismo.


Mas posso te dizer alguma coisa. Marco Antonio Almeida, solista reconhecido internacionalmente, inclusive morando atualmente na Europa, é daqui. Seus recitais de piano são concorridíssimos. Aqui não tem público para este tipo de coisa mesmo. Ele passaria fome se ficasse só se apresentando em Londrina. Por isso ele “foi embora”, primeiro acho que para o eixo Rio-São Paulo, “fazer” o Brasil, depois para o exterior. Arrigo Barnabé idem, vive em São Paulo. Daqui ainda saíram Cida Moreira e Itamar Assunção (Itamar não é londrinense, mas era radicado por aqui até cair na estrada). Nem vou falar de Maria Fernanda Cândido pois ela é nascida aqui apenas. Viveu até o começo de sua adolescência em Londrina depois foi para Curitiba. E talvez tenha mais gente que não me lembre agora.


Com escritores a coisa é diferente, tanto que Domingos Pellegrini, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti, mora aqui mesmo. Não gosto muito dela e também nem podemos dizer que é Cultura em si, mas Maria Lúcia Victor Barbosa mora em Londrina.


Atibaia, com 100 mil habs., tem então 21 livrarias e não “papelarias que vendem livros”?! Parabéns. Deve ser um centro de excelência para o mercado editorial e referência em leitura para o Brasil todo. Honestamente, nunca tinha ouvido falarem isso a respeito daquela cidade. Ainda assim fico com o que o Vítor falou. Internet resolve qualquer problema de falta de livro. Ontem mesmo estava querendo saber de qual editora era o livro de William Shirer - “Ascensão e Queda do Terceiro Reich” - e descobri que era da extinta, ou incorporada, Editora Civilização Brasileira publicado em 4 volumes no Brasil em 1962. Bauru não é tão menor que Londrina que tem 447 mil habitantes. Bauru tem seus 300 mil habs, portanto não se pode dizer que é bem menor que Londrina. E ter umas 21 livrarias “de verdade” não joga Londrina em um estado de indigência cultural por isso.


Se você acompanha as discussões no meu e em outros blogs, já deve ter lido sobre a polêmica do Cine Teatro Ouro Verde. Foi recentemente reformado. Ficou muito tempo fechado. A última vez que fui lá, assisti a uma apresentação da Orquestra Sinfônica da UEL (olha aí outra coisa que nem toda cidade tem. E salvo engano Londrina tem duas orquestras sinfônicas: a OSUEL e a Municipal, mantida pela Casa de Cultura). Foi num dia chuvoso e tinha, acredite, uma goteira em cima de um violoncelista. Tragicômico, mas até ele riu da situação.


O Teatro Marista sem dúvida é melhor. É novo e moderno. Além desses, temos o Teatro Filadélfia e o antigo Tribunal do Júri, transformado em Teatro Zaqueu de Mello. Tem o Teatro Núcleo 1, que nem sei se funciona ainda e acho que só.


Cinemas de Arte??? Poxa, não têm e acho que não vai ter. Estou entendendo Cinema de Arte como aquelas salas onde se passam os bons filmes fora da Indústria Cultural e do mercado Hollywoodiano. Se não for isso, desconsidere. Reconheço que sou um tanto quanto tosco em Cultura. Mas só uma curiosidade: Se você souber, quais cidades, do tipo de Londrina, têm Cinemas de Arte?


As pessoas engajadas na Cultura local lutam a séculos pela construção do Teatro Municipal que deveria ser no terreno onde construíram o prédio que funciona o Mercadorama da Av. JK.


Na verdade, não me recordo qual peça e quais atores, mas o Teatro Marista mesmo andou abrigando, no ano passado, mais de uma peça do circuito nacional. E quando estas peças vêm, casa cheia na certa! Mesmo naqueles informes locais, em off, quando passam os créditos dos programas de Tv da Globo, tenho de lembrança várias chamadas para recitais e concertos. Pode não ser suficiente para você, acostumado com o intenso agito Cultural de São Paulo. Mas tem sim. E creio que na proporção certa dentro do potencial de público para este tipo de espetáculo.


Em termos de teatro, o autor Mário Bortolotto é londrinense. O FILO, para você ter uma idéia, é por obra de uma abnegada, a profesora Nitis Jacon. Ela não sobrevive de Cultura, é médica psiquiatra e proprietária de uma clínica ou hospital, não sei ao certo, em Rolândia. Além de ser professora da Universidade. Foi diretora do Grupo Proteu, baseado na UEL, que percorreu o Brasil mostrando seu trabalho. Mas se ela quisesse viver disso, certamente teria que ir para o eixo Rio-SP. Já falei no post sobre o fim do Valentino, do Grupo Positivo, que depois virou Grupo Delta. E do cemitério de Automóveis e do Bom-Bom. A Banda Chaminé Batom foi originada de um grupo de canto, o Faz de Canto. Tem ainda o Boca de Baco. E outros grupos que montam suas peças e vão participar de festivais pelo Brasil. No Sindicato dos Bancários, é comum recebermos pedidos de ajuda de custo deste pessoal.


O FILO depende, na maior parte, de verbas públicas para acontecer. Duas, três, semanas de Festival é muito pouco para você? O Festival de Teatro de Curitiba deve durar por aí também. A mesma duração tem o Festival de Música. Quer dizer, Londrina tem dois festivais ligados às Artes e Cultura e para você isso é insignificante, “dura apenas alguns dias”?! O problema é que talvez estes eventos não tenham tanta atenção da mídia nacional como têm os festivais de Teatro de Curitiba, Cinema de Gramado e Dança de Joinville. Mesmo em âmbito estadual, nossa imprensa pouco fala dos nossos festivais e talvez isso possa ser mais um fator para que você desdenhe os festivais e a cidade por isso.


Londrina tem também o Conselho Municipal de Cultura. Inclusive um dos blogueiros deste sítio, o Claudinho, alcunhado Clangcomix, é conselheiro e, não sei direito a denominação, se diretor, responsável, mas está a frente do projeto que reúne e organiza revistas de quadrinhos. Não gibis, que falo pra encher o saco dele, mas quadrinhos da DC e Marvel e coisas de qualidade. Funciona onde é a Casa do Papai Noel, às margens do Igapó(Ô Claudinho, ajuda aí e fale direito o que é. Não estou conseguindo explicar).


Dois Museus, o Padre Carlos Weiss, que é um museu “geral” e um Museu de Artes Plásticas, na antiga Rodoviária.

E deve ter mais coisas que esqueci ou nem tenho conhecimento mesmo.


Em suma (ufa!) Dois festivais; sete papelarias que vendem livros, apenas uma livraria de verdade, apesar que a Arles e mais livraria do que papelaria (o que também não desmerece estas livrarias. Afinal farmácias vendem refrigerantes e revistas também, coisas da concorrência em tempos de globalização); uma( vou ficar com uma) Orquestra Sinfônica; um teatro novo e moderno, mais uns três ou quatro antigos; dependendo da ótica, de três a seis ou sete bibliotecas; dois museus; um Conselho Municipal de Cultura constituído e atuante; gente de renome nacional e internacional nas Artes e Cultura que saiu daqui e etc, etc, e etc.


Não acho que Londrina mereça um malho da magnitude do seu. O que (atenção leitores, não estou querendo desmerecer nenhuma das cidades que vou citar) Ribeirão, Santos, Campinas, São José dos Campos, ABC, Joinville, Caxias, Lages, Atibaia, Maringá, e muitas capitais brasileiras pouco maiores ou do mesmo porte que Londrina têm de muito mais em termos de Cultura que Londrina? Que possam fazer você afirmar categoricamente que estamos em um estado de indigência cultural?


De novo, acho que você pega pesado. Amar o lugar que nascemos e vivemos não é ufanismo, amar é coisa natural. Pode até dizer que há um certo bairrismo, mas uma coisa saudável. Talvez seja apenas uma dorzinha de cotovelo, típica de paulistas “ensimesmados” com a grandeza do estado mais rico do Brasil, que acham que o Paraná, exceto Curitiba, é meio do mato e quando chegam aqui não conseguem se conformar que esta “menina” é maior que algumas e belisca os calcanhares de outras maiores e muito mais que centenárias cidades paulistas. Dizem, no meio futebolístico, que a água daqui é boa. Todos que saem querem voltar. Percebo isso com os paulistas e paranaenses que estudaram aqui e sentem saudades. Têm suas críticas sim, mas no fundo mais amam do que odeiam ou desdenham. Inclusive, nos seus 68 anos, nunca um londrinense nato foi prefeito. Já tivemos paulistas, fluminenses e até cearenses no comando. É uma cidade voltada nem mais para a agricultura, mas para a prestação de serviços. É referência em Odontologia Pediátrica e em Urologia (aqui foi realizado o 1º transplante de rins do Brasil). Você que é do ramo, não sei se atua com literatura científica que acho que deve ter uma saída melhor nas vendagens, pois entre as seis instituições de Ensino Superior daqui, estão distribuídos, por enquanto, um curso de Medicina, dois de Odontologia, dois de Fisioterapia, quatro de Direito e outros tantos que nem vou enumerar agora.


E Londrina não é nenhum Jardim do Éden. Mas, como diz o hino, é “cidade de braços abertos a todos os povos do nosso Brasil”. Você “vence aqui”. Caso contrário já teria ido embora.

Publicado em 20 de janeiro de 2003 às 01:43 por silvio

Comentários

    • Obrigado pelo convite para visitar o seu blog. Achei que já tinha dito tudo sobre o assunto no blog do Grota, por isso nem voltei lá. Que graça tem ficar refutando um coitado como o tal Nicodemos ou um balconista de livraria (desculpe o elitismo)? Você falou que ninguém fala mal da própria cidade: eu sou o maior crítico de Sampa, tanto que, volto a dizer, fui embora de lá, e não pretendo voltar para a capital. Não acho que malhei Londrina tanto assim. Só abordei a questão cultural, e mantenho tudo o que disse; por outro lado, não critiquei a qualidade de vida, bem melhor que a de S. Paulo (lá essa palavra nem faz mais sentido); não critiquei a infra-estrutura, a prestação de serviços em Londrina e todos os ítens que você enumerou. O problema com esses debates é que as pessoas querem polemizar por polemizar. Se o nível da conversa fosse um pouquinho mais elevado, eu teria chegado lá, no “por outro lado”, nas vantagens que eu vejo nesta cidade. O melindre excessivo que os meus comentários provocaram acaba sendo uma prova de que estavam corretos, do contrário teriam sido acolhidos com um superior desprezo, tipo “perdoai-o, pois ele não sabe o que diz”. (Peraí, deixa eu tomar fôlego)
    • por Paulo Schmidt
    • 20.Jan.2003 às 18:55 - Permalink - Reportar
    Paulo Schmidt
    • Continuando: conheço e admiro os expoentes culturais que você citou. Não se trata deles, se trata de que a cidade não faz jus a eles, tanto que eles obtiveram sucesso e fama fora daqui, como o Marco Antônio Almeida e todos os demais. Não acho justo dizer que “o eixo Rio-SP isso e aquilo”; tem gente muito boa no RS ou em SC que produz cultura nas suas próprias cidades, tem mérito e reconhecimento e nunca sequer sonhou em ir para o Rio ou S. Paulo. Posso te dar diversos nomes, você provavelmente não conhecerá nenhum, pois a fama deles está circunscrita ao seu “habitat”. O que quero dizer é que não acho que um artista ou intelectual reconhecido é aquele que aparece na Globo ou no SBT; é aquele que obtém o seu reconhecimento e sustento na própria cidade; e, como você mesmo confessa, Londrina não fornece nem uma coisa nem outra aos seus próprios notáveis das artes e letras. Mais uma vez, essas críticas que eu fiz se referem à indigência cultural RELATIVA de Londrina. O que isso significa? É claro que Londrina tem mais cultura do que milhares de outras cidades; mas para o seu tamanho e população, é pouco. Meio milhão de habitantes é muita gente. Ser a terceira maior cidade do sul do país equivale a ser um gigante. Infelizmente, porém, CULTURALMENTE falando, Londrina é uma metrópole com mentalidade de vilarejo.
    • por P. Schmidt
    • 20.Jan.2003 às 19:16 - Permalink - Reportar
    P. Schmidt
    • Só mais uma coisinha, Silvio. O FILO não é desdenhado pela mídia paulistana, não: a primeira vez que ouvi falar em Londrina foi por causa desse festival.
      Porém, da mesma forma que uma andorinha não faz verão, um festival de teatro não faz cultura teatral. Ter cultura teatral significa ter espetáculos em cartaz o ano inteiro, não simplesmente um festival que dura três semanas. Hábito da cultura é uma coisa; uma visita anual da cultura é outra.

      O termo “Cinema de Arte” não foi bem empregado; o certo seria Cinemateca. Não sei se Atibaia tem; só sei que Londrina deveria, obrigatoriamente, ter, dadas, insisto, a sua enorme extensão e população.

      Estamos falando muito de eventos. O que falta, dentre estes 500.000 habitantes, é um número mais ou menos expressivo que freqüente tais eventos. E é por isso que os governos estadual e municipal dão pouca bola para a cultura em Londrina: porque há pouca gente aqui que se interessa por ela. Fim de papo.
    • por P. Schmidt
    • 20.Jan.2003 às 19:53 - Permalink - Reportar
    P. Schmidt
    • Obrigado por se lembrar de mim, Paulo Schimidt. Tenho orgulho de ter trabalhado como balconista de livraria. Todos aqueles balconistas que conheço possuem uma dignidade infinitamente maior que a sua. Seu desdém reflete a sua arrogância e a sua falta de cultura. Comecei o debate de maneira cordial. Se te irrita arguir com pessoas de classe menos desfavorecidas, peço desculpas. Isso é muito comum... quando a pessoa não encontra argumentos, passa a agredir.
    • por Vítor Ogawa
    • 20.Jan.2003 às 21:20 - Permalink - Reportar
    Vítor Ogawa
    • ei, relaxem. é muito papo-furado sobre pessoas que, no blá-blá-blá que se seguiu, têm a mesma opinião. O lance é que um quis pagar uma de sabichão em cima do outro.

      respeito vcs todos mas quero ter o direito de agredir, mesmo com argumentos.

      afinal de contas, repito> ignorância por opção é sabedoria.
    • por clangcomix
    • 20.Jan.2003 às 21:25 - Permalink - Reportar
    clangcomix
    • Rsrsrs Ê Claudinho. Só você mesmo!!!
    • por Vítor Ogawa
    • 20.Jan.2003 às 21:29 - Permalink - Reportar
    Vítor Ogawa
    • Londrina não pode ter “cinemateca” no sentido real da palavra, mas tem aquelas boas sessões de cinema na Associação Médica de Londrina, com dois críticos de cinema ótimos.
    • por anti-schmidt
    • 20.Jan.2003 às 21:53 - Permalink - Reportar
    anti-schmidt
    • É que eu fiquei irritado. Só porque este indivíduo é editor da Campanário acha que pode ficar dando uma de gostoso para cima da gente...Se fui balconista, vendi livros que ele traduziu, que ele editou. Ele deveria agradecer e não desdenhar...Se ele desvaloriza tanto um balconista, pois bem...é um direito dele. Mas tenho o direito de me defender. Não quis dar uma de sabichão para cima dele. Quis mostrar o quadro real da situação, cordialmente. Mas não vou mais gastar meu latim com quem refuta a ponta que faz tilintar o seu cofrinho. Que ele produza livros no eixo Rio-SP e vá embora daqui. Eu me recordo quando chegou o primeiro livro da editora Campanário na Bom Livro eu li, mostrei para os outros vendedores, insisti para que os consumidores levassem. Sabia o quanto era difícil oferecer Shakespeare com prefácio de Victor Hugo para clientes que querem levar Paulo Coelho. Nem sempre tinha sucesso, mas algumas pessoas se rendiam aos meus argumentos. Aliás recebi o nome Vítor devido ao escritor Victor Hugo. Meu pai só adaptou a grafia ao português moderno. Eu cresci lendo Victor Hugo e outros autores que, agora, o sr. Paulo Schimdt faz editoração ou traduz. Sou fã de carteirinha dos títulos da Campanário, mas de seu editor...depois dessa discussão passei a ter dúvidas sobre a sua inteligência.
    • por Vítor Ogawa
    • 20.Jan.2003 às 22:02 - Permalink - Reportar
    Vítor Ogawa
    • Vítor
      Você sabe qual é o seu valor. Não ligue para esse não-sei-lá-o-quê-Schmidt. Ele é editor de livros, grande bosta. Editores deveriam ser queimados no fogo do inferno juntos com corretores de imóveis. Pertencem à mesma categoria: são picaretas.
    • por anti-schmidt
    • 20.Jan.2003 às 22:14 - Permalink - Reportar
    anti-schmidt
    • E quer saber de uma coisa, Schmidt: VAI TOMAR NO MEIO DO SEU CU!
    • por anti-schmidt
    • 20.Jan.2003 às 22:16 - Permalink - Reportar
    anti-schmidt
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