Para responder a estas duas indagações, em que modifiquei o slogan da empresa, é que fiz este post. Pra quem tiver interesse em saber como uma empresa do porte da VolksWagen trata seus clientes basta ler o “leia mais” desta mensagem. Vou avisando que é um post longo. E esta na ordem cronológica. Saiba como O GRANDE TUBARÃO MALVADO faz o cliente pequenininho perto do poderio da multinacional sentir-se um PEQUENO BAGRE OTÁRIO.O GRANDE TUBARÃO MALVADO VERSUS O PEQUENO BAGRE OTÁRIO
Prezado Sr. NÃO SEI QUEM (pessoa que deveria ouvir um consorciado em última instância dentro da empresa):
Nem vou dizer que escrevo este e-mail com tristeza, pois o que me motivou mesmo foi a revolta. Também não vou me desculpar por chamá-lo de Sr. NÃO SEI QUEM visto que não consegui obter seu nome junto a nenhum de seus funcionários (nem da matriz, nem da revendedora autorizada).
EU ERA FELIZ... E SABIA!!
Sr. NÃO SEI QUEM, na verdade minha relação com a VOLKSWAGEN começa já no distante ano de 1993, uma década atrás!!! No governo Itamar Franco houve o tão falado, à época, lançamento dos carros populares. Solteiro e sem maiores compromissos, um tanto quanto moço ainda e morando com meus pais, não economizava nada do meu salário de trabalhador bancário. Com a famosa decisão do Governo para o setor de automóveis e a investida das fábricas, eis que me despertou a necessidade de economizar e finalmente poder ter um carro de verdade, meu primeiro carro (um carro zero quilômetro). Para tanto resolvi aderir a um consórcio e depois de uma certa pesquisa de mercado preferi optar pela marca VOLKSWAGEN. Sem pensar muito comprei um plano de consórcio de 50 meses junto a NORPAVE, de Londrina, pois se tratava da melhor oferta nesta modalidade. Naturalmente levei em conta dois outros fatores: a marca mundialmente famosa (e que me proporcionaria ter de assistência técnica em qualquer buraco deste imenso país) e a revendedora (empresa tradicional de minha cidade há três décadas no mercado, portanto sólida). O fato de esta revendedora não oferecer um plano de consórcio nacional (com a garantia da fábrica) nem me chamou a atenção. Ávido por um carro “zerinho”, entrei de cabeça e, confesso, fui feliz. Com a mudança de design do veículo no meio do plano (o gol quadradinho passaria para bolinha, de Geração I para Geração II), preferi também suspender minha pedra dos sorteios. Sem qualquer tipo de problema paguei o plano quase inteiro até ser contemplado. Todo mês, o cobrador da NORPAVE passava na minha casa e recebia o cheque. Fui o antepenúltimo sorteado e quando recebi o carro, ele estava praticamente quitado. Com dinheiro na mão e sem a dívida das prestações pude equipar o meu Gol Bolinha, com que considerei ser o melhor. Pedi pintura metálica, Azul Unique, peito de aço, alarme, vidros verdes degradê, vidros e travas elétricas, retrovisores, pára-choques e grades na cor, ar quente, limpador e desembaçador traseiros, luz traseira de neblina, mandei colocar som, antena interna para não furar a lataria (todos itens, como o senhor bem sabe, opcionais, o que encareceu muito meu investimento). Era abril de 1997.
Quando fui contemplado, recebi de todas as Concessionárias VOLKSWAGEN do Norte do Paraná, correspondência me oferecendo fechar o negócio com elas. ROVEL(Rolândia), CIPASA(Londrina), CEAR(Cambé), ASSAHI MOTOR(Assaí), IBIPORÃ AUTOMÓVEIS(Ibiporã), todas querendo me vender o carro. Como qualquer um, sempre gostei de ser respeitado e como a NORPAVE assim conduziu nossa relação, dei valor à fidelidade e optei por adquirir o Gol com esta empresa.
Tratei do meu automóvel com o maior cuidado. Aconselhado por amigos que entendem do assunto, tomei esta atitude por compreender que um automóvel VOLKSWAGEN era fácil de vender. Como se diz por aí, tinha mercado e era necessário apenas estalar os dedos dizendo que queria vendê-lo e pronto! E tratei deste carro, Sr. NÃO SEI QUEM, como se trata de um filho. Para o senhor ter uma idéia, assim como o manual do veículo com as quatro primeiras revisões feitas na concessionária (só as duas primeiras foram gratuitas, devido à garantia), guardei todas as notas de abastecimento com a quilometragem anotada. Todas! Tive o cuidado ainda de guardar todas as notas de troca de óleo, filtro de óleo, de ar, de combustível e todos os serviços afins no posto em que meu Gol era cadastrado. Obedeci à risca as recomendações do manual do proprietário quanto ao tempo necessário entre as trocas. E só usava o óleo recomendado pelo fabricante. Além disso, guardei todas as notas de trocas de pneus e demais peças que ao longo de seis anos tive que eventualmente consertar. Com tudo isso, Sr. NÃO SEI QUEM, meu carro só faltava ter pedigree. E dito e feito, anunciei e vendi minha “noiva mecânica”. Foram seis anos de satisfação. Eu era feliz e sabia disso.
O MAR NÃO ESTÁ PRA PEIXES
“O tempo passa, o tempo voa...” e o carro foi ficando velho, muito embora eu cuidasse dele permanentemente. Apesar de estar inteiro, redondinho, ele tinha seis anos de idade. Precisava trocá-lo. Como nunca fui de guardar dinheiro espontaneamente, fui convencido pelos vendedores do meu atual consórcio que o consórcio em si era como uma poupança. Concordo que é verdade, com a agravante (ótima) de não podermos sacar este dinheiro durante o plano de forma alguma. Logo, em 60 meses (tempo deste plano) teria o valor de um carro novo acumulado. E resolvi fechar o negócio.
Ainda acima ressaltei que prezo o respeito e a fidelidade. Bem, Sr. NÃO SEI QUEM, nem preciso lembrá-lo do triste passado recente do nosso país. Apesar de hoje, na minha opinião, graças a Deus, vivermos governados por um ex-dirigente do Sindicato de uma parte de seus funcionários (na verdade, o Consórcio Nacional VW, o Banco VW e a Montadora em si fazem parte de um conglomerado, ou seja, no frigir dos ovos são a mesma empresa) não podemos esquecer que depois de Itamar Franco, fomos durante longos e intermináveis oito anos governados por um presidente envaidecido que providenciou o desmonte do país, o que em última análise contribuiu para a quebradeira de diversas empresas tidas como sólidas. G ARONSON, MESBLA, STELLA BARROS TURISMO, TRANSBRASIL, TV MANCHETE, HERMES MACEDO, ARAPUÃ, BAMERINDUS, ENCOL entre outras, mais e menos famosas, foram para o espaço. Podemos até admitir que estas empresas também foram culpadas pelo seu próprio fim, mas não podemos nos esquecer que no período em tela (oito anos), quando nossos governantes resolveram abrir as pernas do país para o capital especulativo internacional entrar com tudo, foi que se deu esta verdadeira quebradeira (mera coincidência?!). E também não podemos esquecer que muitas grandes e tradicionais empresas estão com as finanças abaladas até hoje, devido aos tempos turbulentos do Neoliberalismo Sourbonneano.
Só no ramo de automóveis, aqui em Londrina, várias empresas quebraram literalmente ou saíram do mercado. Os revendedores CHEVROLET, antes quatro, agora se resumem em apenas um. A ROTEC e a IGAPÓ foram compradas pela METRONORTE e a MORO (Cambé) e a COMCRISTO (Cornélio Procópio, esta a 60 km de distância daqui) encerraram atividades. A FORD ficou sem suas duas concessionárias (MAYRINK GOES E MARACAJÚ, com mais de trinta anos na praça desabaram) e a DISBAUTO (que substituiu as duas) também já naufragou ao que parece. A cidade ainda viu a BELLA VIA (FIAT) encerrar suas atividades. Repare Sr. NÃO SEI QUEM, que só estou me referindo às montadoras “nacionais”. E diante de todas estas dificuldades que as outras revendedoras concorrentes da VW passaram, a NORPAVE e a CIPASA continuavam lá, firmes, incólumes.
Devido a esta instabilidade vivida por diversas empresas resolvi optar (para minha total infelicidade e desgraça) pelo Consórcio CIPASA. É justo dizer que fui influenciado (no bom sentido) pelo vendedor “...é nacional, garantido pela VOLKSWAGEN do Brasil, pode contemplar até quatro quotas por mês e blá, blá, blá...”. Deixei de ser cliente da NORPAVE, onde fui muito bem e dignamente tratado, para me associar ao consórcio CIPASA. Desta vez levei em conta o clima ruim que paira sobre diversas empresas e preferi me resguardar com um consórcio garantido pela fábrica. Minha renda anual familiar gira na casa dos R$ 20 mil. O valor do bem em questão também gira em torno disso. Raciocinei que seria melhor não correr risco algum. Já pensou, Sr. NÃO SEI QUEM, vai que a NORPAVE quebre também. Seu consórcio é administrado por ela mesma e perder, ao final de cinco anos, 20% de tudo o que ganharia neste período é muita coisa. Afinal de contas o mar não está pra peixes, não é verdade?!
O GRANDE TUBARÃO MALVADO ATACA O PEQUENO BAGRE OTÁRIO
A assembléia inaugural foi em Londrina, fui insistentemente convidado a prestigiar o evento que tinha transmissão para todo o país. Gente do alto escalão do consórcio CIPASA, vindos de Curitiba, prestigiando a assembléia. Tratamento VIP, coquetel, tudo às mil maravilhas. Sentia-me a própria Alice. Pensei comigo: “deixo rolar por alguns meses pra ver se tenho a sorte de ser contemplado sem precisar dar lance e poder fazer o melhor negócio”. Mas os problemas começaram a partir daí. Todos os dias eu ouvia o rádio no caminho para o trabalho. Em determinado momento um comercial enorme da CIPASA: “...veículos novos e seminovos, e o seu usado com A MELHOR AVALIAÇÃO DO MERCADO. Venha tomar um café (café do sucesso) e saia com seu VW zerinho”. Hahahahahahaha!!!!! Quanta cara de pau! Não é nada disso, Sr. NÃO SEI QUEM. Quem avaliou meu carro, o fez com o maior desdém. Desconsiderou todos os acessórios que relatei acima (vale lembrar que o Gol a que tinha direito na NORPAVE era o modelo básico. Básico mesmo!! Pintura lisa, retrovisor externo só no lado do motorista, sem tapetes, sem acendedor de cigarros e pasme, somente com uma das lâmpadas de ré). Com tudo que pedi pra pôr no carro, ele só não se transformou em um Gol Plus porque não tinha volante hidráulico e nem estofamento nas portas e demais paredes internas na mesma padronagem dos bancos.
Com cara de quem estava cheirando o próprio pum, o avaliador da CIPASA abriu o porta malas, puxou o tapete, verificou que não tinha sido batido, fez o mesmo no capô do motor e no interior do automóvel, ignorou que o carro era de único dono e tinha manual (o que valoriza qualquer veículo na venda), ignorou todos os opcionais e tascou lá: “nove mil”. Fiquei desapontado, é verdade, mas ainda assim não percebi que nesta relação eu fazia o papel de PEQUENO BAGRE OTÁRIO lidando com o GRANDE TUBARÃO MALVADO (revendedora e Consórcio Nacional VW). Apenas a título de informação, meu Gol tinha Seguro Total, contratado junto à Real Seguros. O limite máximo de indenização (valor ajustado) era de R$ 9.733,00... “que corresponde, na data de emissão deste extrato, a 100,00% do valor médio da tabela FIPE – USP (posição em 13/08/2003).” Beleza, pensei. “Para estes exploradores da CIPASA é que eu não vendo meu carro”. Ah... e mais uma coisa: ofereceram nove mil reais com o frete e a pintura inclusos. Queriam ganhar nas duas pontas. Ao me venderem um carro novo inevitavelmente vão me dizer o preço acompanhado da célebre frase: “mais frete e pintura”. Como se alguém nesse país vendesse um carro zero no zarcão. Bem, de toda forma eu já havia pago isso quando tirei meu Gol. E agora na hora da venda ninguém nem sequer cogita a possibilidade de me pagarem pelo frete e a pintura. Não é mesmo Sr. NÃO SEI QUEM? Meu carro tem pintura e está aqui! Logo tem preço de frete e pintura também, estou correto?! Sei.
Pesquisei os Gol do mesmo ano que o meu à venda nos jornais. Comparei os opcionais e os preços pedidos. Consultei diversas garagens e cheguei a conclusão que o meu valia cerca de R$ 10.500,00. Batata!! Bastou anunciar que o telefone não parou mais de chamar. A maioria era de corretores de automóveis que, por incrível que pareça, não se mostravam tão sedentos de grana quanto a CIPASA. Ofereciam menos, mas pelo menos tinham a decência de não me insultar com uma proposta tão ridícula quanto a da CIPASA, “a melhor avaliação do mercado”. Acabei vendendo o carro por R$ 10.400,00. “Puxa vida, não tive pressa pra vender, vendi bem e vou ficar só uns dias a pé até oferecer o dinheiro na assembléia e estrear carro novo de novo”. Ledo engano. Apesar de ter me safado da primeira investida, o fato é que o GRANDE TUBARÃO MALVADO tinha atacado o PEQUENO BAGRE OTÁRIO. E ia continuar seu ataque, até o golpe fatal como vou relatar mais adiante.
DO LADO DE LÁ DA ESTRADA
Durante a posse do meu primeiro carro, casei. Era o ano de 1999 e o meu Gol, ainda seminovo, foi a nave que nos levou para a Lua (de mel). Já “veteranos” eu com 35 e minha esposa com 32 anos, decidimos logo de cara deixar de ser um casal casado apenas e nos transformamos em uma família. Com o nascimento de nossa filhinha (que significa infinita, incomensuravelmente mais que os mais de um milhão de automóveis Gol que a VOLKSWAGEN já produziu e vendeu no Brasil) voltamos nossos pensamentos para garantir um teto para a gatinha (ou seria bagrinha?!). Dando ênfase a qualidade de vida, optamos por um bairro de classe média (a qual este PEQUENO BAGRE OTÁRIO pertence com orgulho) onde as crianças ainda brincam na rua. Papai bagre, mamãe bagre e baby bagre não acham ruim morar aqui. Com esforço ímpar, antes de completarmos dois anos de casados, quitamos o financiamento da casa junto à CEF (outra prova de que sempre fui um bom pagador!!!). É um bairro pequeno, com casas inicialmente destinadas a trabalhadores de uma estatal estadual vizinha a ele. A grande vantagem é o sossego e o fato de estar na região mais promissora, em termos imobiliários, de Londrina. A grande desvantagem é a distância do bairro de quase tudo. Estamos a seis quilômetros de distância do centro da cidade, onde trabalhamos e onde nossa filhinha “estuda”. Nosso bairro tem como um de seus limites uma rodovia. Moramos, como se dizia antigamente, literalmente do lado de lá da estrada. Com uma autonomia de 650 quilômetros a cada 50 litros (um tanque) na cidade, o meu Gol, adquirido junto à boa NORPAVE, quebrava um “galhão” por sua economia.
BEM, EU TENHO UM CONSÓRCIO NACIONAL VW!!
Este PEQUENO BAGRE OTÁRIO não percebeu que a relação entre ele e O GRANDE TUBARÃO MALVADO era desigual, quando deveria ser cordial e calcada na boa vontade entre as partes. Acostumado com o bom tratamento que tive junto a NORPAVE, acreditei que no Consórcio Nacional VW seria melhor ainda Sr. NÃO SEI QUEM. Durante os seis primeiros meses de vigência de nosso contrato, recebi religiosamente em minha caixa de correios, afixada ao portão de minha casa, o boleto bancário do Consórcio Nacional VOLKSWAGEN. Mas o inverno este ano se mostrou rigoroso por aqui e minha pequena filhinha contraiu uma virose de estação o que nos fez gastar um dinheiro que não prevíamos com vários antibióticos. Quase estourando meu limite de cheque especial, optei por atrasar a prestação do Consórcio Nacional VOLKSWAGEN. E não paguei a parcela que vencia no dia 13 de agosto. Naturalmente fiquei de fora do sorteio e como ainda não tinha vendido meu carro, nem lance poderia dar, embora saiba agora que estaria fora até da opção de dar um lance por ter atrasado. Ainda neste mês, recebi uma correspondência do Consórcio Nacional VOLKSWAGEN.
““São Paulo, 25 de agosto de 2003
Ref: PRESTAÇÃO EM ABERTO
Identificamos em nossos registros, a existência de prestação vencida em aberto referente ao seu Grupo/quota.
Caso já tenha efetuado o pagamento, através do extrato de cobrança, favor desconsiderar esta carta.
Porém, se o pagamento foi efetuado através de outras formas, como por exemplo, via depósito bancário, ordens de pagamento, etc., solicitamos a gentileza de entrar em contato com a nossa filial, através do telefone (041) 323-5520/FAX(041) 221-3754, ou então no endereço abaixo para que possamos regularizar a sua situação o mais breve possível.
Rua marechal Deodoro, 630
25 andar CENTRO
CURITIBA PR
Atenciosamente,
Consórcio Nacional VOLKSWAGEN Ltda.””
Obs: transcrição ipsis literis do teor da carta, exceto as aspas duplas.
Veja que eu não paguei a parcela do dia 13 de agosto e apenas doze dias depois recebi a carta acima. O tempo foi passando e só fui quitar a parcela de agosto no dia 5 de setembro. Pronto, estava novamente em dia. Por motivo de força maior, pela primeira vez atrasei uma prestação em minha vida. Por estar em atraso e o boleto bancário ser do Banco do Brasil, efetuei o pagamento através do extrato de cobrança numa agência do banco em questão, e conforme a correspondência acima transcrita, desconsiderei a carta recebida. Entendi que deveria desconsiderar a correspondência porque o boleto bancário contém código de barras, o que automaticamente vai informar o Cedente acerca do pagamento efetuado. Quite com o Consórcio Nacional VOLKSWAGEN passei a esperar pelo boleto do mês de setembro. Até que um dia (sempre tem um dia) este boleto não chegou. E não chegou, e não chegou... Logo pensei: “mas vai chegar, afinal eles sabem que paguei a parcela atrasada”. Despreocupado com o fato, mas incomodado em estar pagando e não ser sorteado logo de início como queria, comecei a providenciar a venda do meu Gol. Raciocinei como todo brasileiro. Escapando da primeira investida do GRANDE TUBARÃO MALVADO, resolvi vender meu carro para um terceiro. Pegando um preço que acreditava ser o justo pelo carro daria uma boa quantia de lance, tipo uns sete ou oito mil reais, e seria contemplado. Com o dinheiro restante, sairia do cheque especial e ainda sobraria uns trocos para investir. E o boleto não chegava...
A PIOR NOITE DE NOSSAS VIDAS
Acho que já estamos na primavera, Sr. NÃO SEI QUEM. E este ano o clima tem sido bem atípico. Até a duas semanas atrás as noites estavam muito frias, as madrugadas geladas e quase sempre chuvosas. Às sete horas da manhã, por vários dias daquela semana, o termômetro marcou quatro graus. E o boleto com o valor da parcela de setembro não chegava. Mas para mim havia chegado a hora. Pagando a parcela de setembro, que soube depois já deveria estar nas minhas mãos, quase junto com a parcela que havia atrasado, decidi que era tempo de “ir pras cabeças”. Mesmo novamente quase estourando meu limite de cheque especial, queria mais era passar para um VOLKSWAGEN zero quilômetro. E no dia 9 de setembro estava dentro de uma agência bancária fechando o negócio com a compradora. Como já disse, com o dinheiro que sobraria ia dar para cobrir meu cheque especial e o carro novo estaria nas minhas mãos.
Negócio concretizado, naquele final de tarde fui a pé buscar minha filhinha na escolinha. Passamos pela casa de meus pais, que bons que são, insistiram para que fossemos com o carro deles embora para casa. “Não pai. Precisamos nos virar sozinhos. E o senhor tem mais necessidade de ter o carro em mãos do que nós. Seu coração é fraco e a mamãe já não tem mais idade para te carregar se precisar.” Voltamos de ônibus. Em casa alertei minha mulher: “amor, nossa rotina vai mudar por uns dias. Vamos ter que acordar uma hora mais cedo para estar no trabalho no horário. Temos que estar no ponto de ônibus às 6:45Hs. A não ser que esteja chovendo de novo porque aí iremos de táxi.”Como aquele dia tinha sido um dia de frio e vento, resolvemos que nossa filhinha viria para a cama conosco, a fim de podermos monitorar febre, tosse e qualquer outro eventual problema de saúde inerente a crianças de três aninhos de idade que enfrentam um clima assim. Foi a salvação. Tudo que vou contar no próximo parágrafo aconteceu muito rápido. Demora pra contar ou escrever. Mas é como o relato daquelas pessoas que sofrem acidentes e dizem que nos breves instantes do acontecimento tiveram todas as suas vidas passando por suas cabeças.
Madrugada do dia 10 de setembro. Nossa primeira noite desde que casamos sem carro. Fui acordado com minha mulher chamando meu nome de forma alta, aguda e num tom desesperado e seco:
- Silvio!
Sonolento e num salto, pulei da cama e pensei: “perdemos a hora”. O rádio-relógio marcava 5:40Hs.
- A Ana Cláudia!
Já de pé, virei e olhei para o meio da cama, onde ela deveria estar. Não estava. Na penumbra percebi que minha mulher estava em pé e pensei comigo: “Meu Deus! Ela caiu e se machucou gravemente. Ou será que ela descobriu que a Ana Cláudia está morta?!”
Um pesadelo real. Acendi a luz. Estava frio e chovia lá fora.
- Olha a Ana Cláudia... (com a voz embargada em choro de desespero)
Minha mulher estava com ela no colo. Minha filhinha estava tendo uma crise convulsiva. Seus olhinhos azuis revirados para trás. No lugar das pupilas, da íris, dois globos brancos. Não tinha nenhuma expressão de consciência no rosto. Seus bracinhos estavam retorcidos e se agitando compulsivamente.
- Faça alguma coisa!
- Vou fazer, vou fazer.
Nem sei como, mas mais rápido que o Super Homem, já estava de calças, de sapatos e pondo a camisa.
- A boca dela está espumando!
- Vira ela de bruços.
- O que nós vamos fazer?
- Calma, calma.
Também desesperado, enquanto ouvia o clamor desesperado de minha mulher pensava: “meu Deus, o que é que eu faço?! Chamar meu pai, um táxi, uma ambulância... vai demorar uns vinte minutos até se mexerem e chegarem aqui.” Meu Deus... o que eu faço?!” Só pode ter sido o instinto, mas quando me dei conta já estava na rua sob uma chuva fria. Como os dois trabalham, não conhecemos muito os nossos vizinhos nestes pouco mais de quatro anos em que moramos aqui. Atônito, desesperado, perdido, chorando e apavorado corri umas três casas para cima. Atolei meu dedo na campainha do interfone e não parei de gritar:
- Dorival! Dorival!
Acho que na terceira vez que chamei, ele respondeu.
- Minha filha está mal. Leva a gente, cara. Leva a gente.
- Já estou tirando o carro.
Corri de volta pra casa gritando pra minha mulher vir pra fora. Ela saiu, ainda de pijama, com a menina enrolada numa manta. Entramos no carro e eu inconformado desabafei:
-Vendi meu carro ontem, vendi meu carro ontem!!!
Quando ele conseguiu fazer o carro a álcool dele funcionar, minha filhinha voltou à consciência e começou a chorar. Que alívio!
DEPOIS DA TEMPESTADE, VEM A BONANÇA
Que grande susto Sr. NÃO SEI QUEM. Para nosso alívio os exames não mostraram nada de anormal com a menininha. Foi uma convulsão benigna que algumas crianças, em processo de maturação cerebral, podem ter. Nada de manchas, marcas ou deformidades morfológicas foi constatado, pela tomografia, em seu cerebrozinho. Passamos o dia em consultórios médicos e realizando exames nela. Quero lembrar que estamos no dia 10 de setembro e até agora nada de o boleto bancário chegar. No dia seguinte (11) ainda estávamos providenciando tratamento e cuidados especiais.
Enfim, depois de tanto corre-corre, concluímos que não podíamos ficar sem carro. Um carro para nós, realmente não era luxo, era uma questão de NECESSIDADE!! Como tinha aberto conta em um banco para manter separado de minha tradicional conta bancária o dinheiro da venda do carro, esperava a gerente me dar o OK da entrada do CRÉDITO. A moça que comprou meu carro havia feito um financiamento para tal e, como discutia uma taxa melhor de juros, o dinheiro ainda estava pendente. Mas o boleto com a prestação de setembro ainda não tinha chegado. “Caramba, a assembléia deste mês deve estar chegando”, pensei. “Vou entrar logo em contato com eles pra verificar o que acontece e garantir minha participação”.
ENTENDENDO AS ALCUNHAS
Sexta-feira, 12 de setembro. Ligo para o departamento de consórcios da CIPASA:
- Consórcio CIPASA, bom dia.
- Alô querida, bom dia. Que dia é a minha assembléia do grupo 50479?
- É dia 16, senhor.
- Escuta, eu quero dar um lance...pode ser no dia, né?!
- Pode sim.
- Só que eu queria saber o valor da parcela. Até agora o boleto não chegou em casa.
- Qual a sua quota, senhor?
- 165.
Alguns segundos depois.
- Venceu dia 10, senhor. O senhor não vai poder participar da assembléia nem para dar lance.
- O quêêêê?!?! Eu não recebi o boleto até agora. Como é que fica?
- Olha senhor, está em atraso. O Sistema não vai aceitar.
- Nem a pau! Eu quero falar com o gerente.
- Não vai adiantar, senhor. O Sistema...
- Como não, eu quero falar com o responsável pelo consórcio.
- Ele não se encontra no momento.
- Quem responde por ele na sua ausência?
- É melhor o senhor ligar para o consórcio em Curitiba. O senhor tem o número?
- 323-5520?!
- Exato. Código 041.
- Eu sei. Tá louco! Que conversa é essa? Vendi meu carro pra dar de lance, estou a pé e não vou poder participar?!
- Infelizmente senhor. O Sistema não aceita pagamento em atraso.
- Conversa. Eu não recebi o boleto ainda. A assembléia é dia 16. Dá tempo de pagar sim.
- Senhor, não dá. Já aconteceu isso antes. O Sistema não aceita.
- A que horas o gerente está aí?
- Acho que só na parte da tarde.
- E São Paulo? Qual o número do CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN?
- Senhor, eles vão mandar o senhor ligar para Curitiba.
- Mas não tem ninguém em São Paulo que responde? Não é CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN? (percebe que eu estava já querendo falar com o senhor, Sr. NÃO SEI QUEM?)
- Se o senhor ligar pra lá, eles vão mandar o senhor ligar para Curitiba.
Bem Sr. NÃO SEI QUEM, senti uma coisa ruim no ar. Algo, que se confirmaria, que eu ia ter problemas. Como o CNVW e seu perverso Sistema tratam de um problema simples para resolver. O CNVW se comporta como um ente irascível, insensível, como se o tal Sistema por si só tivesse vida própria e poder de decisão só porque atrasei, de novo e não por minha culpa desta vez, a mensalidade. O CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN transforma-se em O GRANDE TUBARÃO MALVADO. E trata sua razão de existir, o cliente, como O PEQUENO BAGRE OTÁRIO. Como se eu fosse merecedor de tamanho descaso. Logo eu que dei preferência a fazer negócio com vocês, mesmo sendo tratado muito bem por uma empresa concorrente, mas que vende o mesmo produto. O CNVW parece ser regido pela mesma filosofia daquela lanchonete do filme “Um dia de fúria”, quando o Michael Douglas entra no local às 11:32Hs e pede um café da manhã e é informado que tal refeição só é servida até às 11:30Hs. Então ele pergunta se a lanchonete conhece a expressão “o cliente tem sempre razão” e houve como resposta “essa não é a filosofia desta empresa”.
UM SHOW DE ABSURDOS
Seria cômico, se não fosse trágico, o que eu ouvi de Curitiba: que a responsabilidade era minha, que eu deveria ter lido o contrato porque lá reza isso, que eu deveria ter acessado a internet para obter informações sobre o porque do atraso, que eu poderia ter usado o boleto em branco que recebi junto com o contrato, que eu deveria prestar atenção, que eles não sabiam também o seu nome, que os Correios estavam em greve, que o Sistema não aceita atraso e automaticamente exclui da assembléia as quotas que não estão em dia e entre outras a melhor de todas, de que eles não têm como saber o motivo do atraso do cliente, que eles não têm como ligar um a um dos atrasados para saber o porque da “inadimplência”. Oras Sr. NÃO SEI QUEM, durante 4 anos e dois meses (50 parcelas) fui acostumado a ser bem tratado pela NORPAVE, que é pequenininha perto do GRANDE TUBARÃO MALVADO e nunca me tratou como um PEQUENO BAGRE OTÁRIO. Durante seis meses, como que religiosamente, recebi a cobrança do GRANDE TUBARÃO MALVADO em minha caixa de correio. Honestamente, estava acostumado já com suas correspondências mensais. Acreditava que com vocês seria até melhor. “He,... se a NORPAVE, que é local, me tratava na palma da mão, que dizer do CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN então?!” Como já disse, ledo, ledo não, homérico engano.
UM CHAMADO À RAZÃO
Certamente Sr. NÃO SEI QUEM, o senhor desconhece tudo isso, pois seus funcionários e funcionários das coligadas da sua empresa sequer o conhecem. Sequer sabem para quem encaminhar o cliente que quer falar com o chefe do chefe do chefe do chefe... Da sexta-feira, dia 12, à segunda-feira, dia 15 (um dia antes da assembléia), seguramente liguei (ligações interurbanas de vinte a vinte e cinco minutos cada, pagas por mim porque O GRANDE TUBARÃO MALVADO não atende ligações a cobrar e NÃO TEM UM SERVIÇO DE 0800 como toda boa, grande e importante empresa nacional e multinacional tem) umas seis vezes, desesperadamente para conversar com alguém que me resolvesse o problema de urgência urgentíssima. Em nenhuma delas consegui descobrir seu nome. Na segunda-feira me disseram, depois de conseguir convencer uma das supervisoras do absurdo que era os funcionários não saberem a quem me encaminhar em São Paulo, que existia o “Fale Conosco” do site do CNVW. E que mesmo assim a pessoa que receberia acabaria enviando o e-mail para Curitiba, pois esse era o procedimento. E é por isso que estou lhe escrevendo, Sr. NÃO SEI QUEM. Rebati uma a uma todas as argumentações de seus funcionários no tocante ao show de absurdos relatado a pouco. Vamos a elas?!
1º Alguém falhou, e não fui eu, por esta correspondência de cobrança não ter chegado na minha casa. O problema aconteceu na empresa.
2º Realmente o contrato deve dizer isso e também devo ter recebido um boleto em branco para estes casos. Mas vou lhe chamar à razão, Sr. NÃO SEI QUEM. Se a sua conta de luz, por exemplo, que lhe é entregue religiosamente na sua casa, atrasar por um motivo alheio a sua responsabilidade e vontade, o senhor acha justo o fornecimento de luz do seu lar ser interrompido no dia seguinte? Vou supor que o senhor more em um edifício. É justo o síndico lhe esperar no hall de entrada e impedir que o senhor use o elevador porque o condomínio está atrasado sem que isso tenha sido por sua culpa? É justo o senhor ter que ficar sem luz na sua casa e subindo pelas escadas, por um mês inteiro, porque o senhor atrasou, sem culpa, a luz e o condomínio? O senhor concorda que pelo menos a sua conta de luz do próximo mês vai vir com acréscimo (juros ou multa)? Tenho certeza que minha próxima parcela vai ter juros por atraso. Tem até um campo para isso no boleto.
3º Sou funcionário de um banco estrangeiro. Nem a minha própria conta corrente eu acesso pela internet. Tenho medo de hackers e esse é um direito meu. Não tenho obrigação de fazer operação alguma pela internet. Se a minha conta corrente e meus negócios bancários eu não faço pela internet, tenho a mesma posição sobre todas as outras contas e obrigações. E de mais a mais, quer dizer então que O GRANDE TUBARÃO MALVADO deve se lixar pro cliente que não tem acesso à internet. Este tem uma chance a menos que eu, então. O GRANDE TUBARÃO MALVADO deve estar pensando: “tem dinheiro pra pagar a prestação de um carro e não tem computador dentro de casa. Putz... que pobreza!!”
4º Os Correios não estavam em greve porcaria nenhuma. A greve foi deflagrada no dia 10 de setembro quando há muito tempo eu já deveria estar com este boleto em mãos. Quase todos os funcionários com quem eu falei quiseram argumentar isso, pôr a culpa na greve. Sou dirigente sindical. Nossa data base também é em setembro. Os trabalhadores dos Correios têm seu sindicato filiado à mesma Central Sindical que os bancários de Londrina e os metalúrgicos do ABC. Somos irmãos e trocamos informações. Esta é mentira, das cabeludas e “iningulíveis”.
5º Sobre O GRANDE TUBARÃO MALVADO não ter como saber o porque do atraso do cliente, porque não dá pra ligar pra cada um e saber o motivo que o levou a atrasar, me diverti bastante. Coitadinha da funcionária. Ela ficou muda, tipo engoliu seco (glup glup) quando contra argumentei se o procedimento tomado com o consorciado já contemplado é o mesmo. Ela ficou muda. Pode ter ficado pensando: “é mesmo. O cliente tem razão. Que vergonha estou passando”. Responda essa pra mim, Sr. NÃO SEI QUEM. Aquele cliente que já foi contemplado e tem o carro na mão, se ele atrasa uma parcela vocês também deixam pra lá, pois não tem como ligar pra cada um e saber o motivo do atraso??? Será que O GRANDE TUBARÃO MALVADO não tem um departamento jurídico que é rapidinho no gatilho quando isso acontece? HAHAHAHAHAHAHA!!! Pode ficar vermelho de vergonha com essa, Sr, NÃO SEI QUEM. Eu não estou vendo mesmo.
6º O tal Sistema tem vida própria? Tem poder de decisão? Que diabos de Sistema é este que não pode ser reprogramado, e facilmente reprogramado, para que um cliente não seja prejudicado? Como já lhe disse, trabalho para um banco estrangeiro. Fui compensador de cheques e outros papéis quando não era dirigente sindical ainda. Os bancos, também informatizados, alteram a qualquer tempo seu Sistema para que o cliente que está sendo penalizado por algo que não é de sua responsabilidade não o seja. No banco que trabalho, inclusive, além de ter um 0800 e um serviço de “disque banco”, orienta seus funcionários a jamais deixar que o telefone toque mais do que duas vezes sem que seja atendido. E quando o cliente tem uma demanda para a empresa ou para o Sistema dela, orienta a todos nós a nunca deixar o cliente sem solução. Orienta que, se não soubermos como resolver aquele problema, que imediatamente encaminhemos o cliente para quem saiba e possa fazê-lo. Porque é o cliente quem “paga” nossos salários. É ele a razão da empresa existir e indiretamente trabalhamos para ele ao administrar seu dinheiro e seus investimentos. “Administramos” sua vida financeira. E não devemos nos esquecer jamais que o cliente escolheu a gente, confiou na gente, quis a gente.
7º Ninguém saber quem é que é o chefe do chefe do chefe... é simplesmente fan-tás-ti-co!!!! É a mesma coisa de o senhor ir a um PAB (Posto de Atendimento Bancário), que é afeto a uma agência, e os funcionários de lá não souberem dizer, nem de quem se trata ser, o gerente da agência.
Outros absurdos: ouvi de um de seus funcionários “o que o cliente que pagou em dia vai pensar?” Oras, ele vai pensar que eu, assim como ele, paguei a parcela antes da assembléia. E também vai pensar que no boleto do próximo mês, o dele vai vir sem juros e o meu vai vir com. O pensador é dele, o cliente que pagou em dia que pense o que quiser. Será que seus vizinhos vão a Companhia de Luz reclamar que o senhor tem luz em casa mesmo pagando em atraso? Será que eles vão lá pedir que o senhor fique sem luz o mês inteiro? Ou será que eles pensam: “se dano-ou! Mês que vem vai pa-gar com ju-ros?!”
QUE FICAR VERMELHO DE VERGONHA DE NOVO?
Na assembléia inaugural do grupo, realizada aqui em Londrina, o “Capa Preta” de Curitiba, que representava ali a VOLKSWAGEN do Brasil e o CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN, depois de todo o ritual de contemplação por sorteio, passou a conferir as propostas de lances. Então, pegou o microfone e em tom solene e imponente, até com uma carga de orgulho e regozijo na voz, falou:
“Atenção senhores consorciados que nos deram o privilégio de tê-los como nossos clientes. Este grupo arrecadou tantos mil reais. Com esse dinheiro é possível haver a contemplação de mais três carros por lance. Esta assembléia então, foi capaz de arrecadar dinheiro suficiente para que possamos contemplar quatro automóveis. Um por sorteio e mais três por lance. No entanto, fazendo os cálculos aqui, apurando todos os lances recebidos, observamos que para que um quinto veículo possa ser entregue na noite de hoje está faltando apenas três mil e tantos reais. (Agora, agora, comece a ficar vermelho). Em nome da VOLKSWAGEN do Brasil e do CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN, autorizo a contemplação de mais uma quota, mesmo faltando dinheiro. Antes que alguém se preocupe, gostaria de avisar que isso não vai trazer problema algum para o caixa do grupo. Essa diferença que falta para um quinto carro sair hoje será compensada nas próximas assembléias porque todas as quotas estão em dia, o que leva a VOLKSWAGEN do Brasil e o CONSÓRCIO NACIONAL VOLKSWAGEN a garantir este procedimento. É mais uma vantagem que só nossos clientes têm.”
Então, a pergunta é: E o Sistema??????? Hein, hein, e o Sistema??? Funciona só de vez em quando? Ou ele tem vida própria, não foi programado por humanos e é seletivo? Tipo pra esse aqui sim, pra esse aqui não. Esse pode, esse não pode. Esse é bonito, esse é feio. Como que é, Sr. NÃO SEI QUEM? Que diabos de Sistema é esse que dispara um aviso de “Prestação em Aberto”, nem quinze dias depois da data de pagamento, e não me manda o novo boleto depois que fico em dia. Que diabos de Sistema é esse que permite contemplar uma quota de outro consorciado faltando o equivalente a mais de dez parcelas da minha quota, mas não permite que eu participe de uma assembléia por ter atrasado, mesmo eu me propondo a quitar a prestação antes da realização da assembléia e sem culpa alguma pelo atraso? Ora Sr. NÃO SEI QUEM, isso é fazer a gente se sentir inferior a ameba que parasita o intestino do verme do cocô do cavalo do bandido.
O que é isso? Pra que me penalizar tanto? Eu sou um cliente VOLKSWAGEN do Brasil. Eu tinha um VOLKSWAGEN que vendi pra comprar um novo. Não tenho culpa do atraso. Não agi de má fé. Sou bom pagador, vocês mesmo já puderam comprovar quando da assinatura do contrato. Solicitaram minhas referências comerciais. Quiseram saber quem mais na praça me vendia a crédito. Não existe nada, absolutamente nada, que me denigra ou desabone comercialmente.
AINDA ESTOU ABERTO AO DIÁLOGO
Como disse no começo do e-mail, não vou me desculpar. Se o senhor se ofendeu, eu não sinto muito. Procurei não ofender ninguém. Não usei palavrões, não xinguei. O tratamento que tive de vocês foi duro. Procurei ser duas vezes mais duro. Estou desapontado e acho que vocês podem consertar a situação. Vendi meu carro, estou a pé e com dinheiro no banco. Em qualquer outra concessionária que não seja VOLKSWAGEN, com uma pequena entrada consigo financiar um carro com taxas a partir de 0,95% ao mês. Não quero passar o mês inteiro a pé. E não vou passar. Portanto, proponho:
1 Um carro usado na minha mão, segurado naturalmente como era o meu, com o tanque cheio até que eu dê meu lance na próxima assembléia. O carro usado pode ser qualquer um dos inúmeros seminovos de vossa propriedade à venda na CIPASA, em Londrina e sem qualquer ônus para mim caso venha ocorrer problemas mecânicos. Tem que ser também um veículo de passeio. Minha habilitação não permite dirigir utilitários. Por quê? Porque eu ainda não teria vendido meu carro se soubesse que o seu Sistema me discriminaria. O tanque cheio é para eu não precisar mexer na aplicação do dinheiro oriundo da venda do meu Gol. Lembre-se que na minha conta original eu estou quase no limite do meu cheque especial, por isso não quero misturar as coisas.
2 Quitação da próxima parcela. Por quê? A título de indenização pelas passagens de ônibus que gastaremos até que tenha o carro que acredito que vá conseguir tirar por lance na próxima assembléia (passagem do ônibus em Londrina: R$1,60. 4 passagens por dia – eu e minha mulher = R$6,40. Multiplicado por 22 dias úteis.) “Mas peraí: isso é muito mais do que você já gastou e nós vamos te dar um carro usado com tanque cheio até a assembléia.” Eu também cobro juros, cara pálida. E os danos morais (um processo por discriminação sairia muito mais caro que isso), o meu estresse, a falta de isonomia no tratamento entre os clientes? Não fica barato, não. E também para compensar as inúmeras ligações telefônicas locais e interurbanas, em horário comercial, que precisei fazer para resolver um problema que não causei. E bem feito por ainda não terem um serviço de 0800.
3 A garantia de que se isso (a sua falha) voltar a acontecer, eu possa pagar a parcela até o dia da assembléia, mesmo que já esteja com o carro nas mãos. Se vocês puderam conceder mais de três mil reais de crédito para um consorciado na 1ª assembléia, podem muito bem fazer isso por mim. Se minhas contas de água, luz, telefone, IPTU e demais prestações que tenho chegam todo mês até a minha caixa de correios, não pode ser diferente pra vocês. Se vocês andam tendo problemas com a empresa que terceiriza este serviço para a VOLKSWAGEN, é sinal de que está mais do que na hora de gastar um pouco mais de dinheiro, reassumir o serviço e com isso dar mais qualidade de atendimento aos seus clientes. Escolhemos vocês, nós merecemos.
Como demonstração de minha boa vontade para que possamos chegar a uma solução satisfatória, concedo o prazo de até às 18:00Hs de hoje (19/09/2003) para uma resposta positiva ao meu pleito. Perdi dois dias implorando para participar da assembléia deste mês. Não vejo motivos para dar prazo maior do que este. E em hipótese alguma aceito menos do que propus acima.
Atenciosamente,
Silvio Fontana
Silvio underline Fontana arroba uol ponto com ponto bê erre
Silvio_Fontana@uol.com.br
AQUI A RESPOSTA QUE RECEBI DELES
Prezado Silvio,
Agradecemos o contato.
Informamos que nos boletos encaminhados para sua residência há um campo onde
consta as datas das assembléias, sendo o vencimento de cada prestação sempre
4 dias úteis antes da data de realização da assembléia.
Verificamos que os boletos foram emitidos 20 dias antes do vencimento, porém
podem ocorrer extravios, por este motivo deixamos à disposição dos
consorciados a opção de imprimir os boletos pela internet www.cnvw.com.br,
pelo sistema eletrônico (talker) ou solicitá-lo pela central de atendimento.
Lembramos que as cotas que não estiverem em dia, ou seja, que não foram
pagas até a data de vencimento automaticamente não participarão da
assembléia vigente.
Estamos à disposição para maiores informações.
Atenciosamente,
Graciane Eliza Vieira Machado
Consórcio Nacional Volkswagen
Email: faleconoscosf@volkswagen.com.br
Consórcio Nacional Volkswagen:
mesmo em casa, perto de você
www.cnvw.com.br
-----Original Message-----
From: SILVIO FONTANA [mailto:silvio_fontana@uol.com.br]
Sent: sexta-feira, 19 de setembro de 2003 09:02
To: Consórcio Nacional Volkswagen
Subject: Consórcio Nacional Volkswagen
*Identificação do Remetente*
Para: Consórcio Nacional Volkswagen
Nome: Silvio Fontana
Endereço: R: Emiliano Pernetta, 177
Cep: 86047-570
E-Mail: silvio_fontana@uol.com.br
Tel.p/ Contato: (043)-99963753
Cidade: Londrina
Estado: PR
Grupo: 50479
Quota/DC: 165/01
Contrato:
E AQUI A MINHA TRÉPLICA
Prezada Graciane Eliza Vieira Machado
Para ser honesto, nem esperava resposta tamanho o descaso com que fui
tratado pelo CNVW, Consórcio CIPASA, CIPASA Veículos e CIPASA Veículos
Usados. Depois de tudo que relatei, que acho que a senhora também não leu,
pois me mandou uma resposta padrão, tratando-me como doente mental (como se
eles não mececessem respeito e consideração também), só posso dizer que a
frustração se confirmou. Por outro lado fico assustado por enfim descobrir
seu nome (agora eu me desculpo por tratá-la de Sr. NÃO SEI QUEM. Deveria
tê-la chamado de Sra. NÃO SEI QUEM). Imaginava estar lidando com o Space
Ghost, Gasparzinho ou um similar. Lamento ainda a falta de um telefonema de
sua parte para que pudessemos falar, não digo face a face hehehe, mas “ao
vivo”. Teria a confirmação de que esta empresa multinacional destrata mesmo
os brasileiros seus clientes que tanto lucro proporcionam aos acionistas.
Não é a primeira vez que tenho problemas com estrangeiros sequiosos de grana
mas asseguro-lhe que não sou um xenófobo.
Como já perdi as esperanças, a data da assembléia, a chance de ter um VW
zero Km novamente, mas eu não perdi a minha capacidade de indignar-me, vou
comentar sua breve resposta padrão a um ex cliente VOLKSWAGEN do Brasil.
Para tanto fui recortando, parágrafo a parágrafo, a sua resposta para não
nos perdermos e sabermos exatamente em que ponto da ferida está se tocando.
“Informamos que nos boletos encaminhados para sua residência há um campo
onde
consta as datas das assembléias, sendo o vencimento de cada prestação sempre
4 dias úteis antes da data de realização da assembléia”
Confirmando que a senhora não leu o meu e-mail, esta resposta foi a que ouvi
de todos os funcionários com quem tratei. Não sou demente e nem lixo para
ser tratado assim. Se o “fale conosco” do Site da VOLKSWAGEN do Brasil serve
apenas para isso, posso entender o porquê uma empresa deste porte não possui
sequer um serviço de 0800: por ser avarenta e mesquinha. Pra que perder
tempo enviando um e-mail com a mesma resposta que seus adestrados
funcionários já haviam me dado? Se por um acaso a senhora ler esta resposta,
rogo-lhe que leia a minha mensagem original onde lhe explico que a culpa não
é minha. Ainda falo sobre a comparação entre outras contas que recebo e que,
caso a senhora tivesse tido, sei lá, a coragem de me ligar, tenho certeza
que a senhora ficaria engolindo seco como a sua funcionária ficou. Cliente
que não está em dia não deve ser problema de vocês, porque se ele desistir
só daqui a cinco anos é que ele vai ver a cor do dinheiro que pagou, é
claro, com uma multa de 10%. Êta negócio bão esse tal de consórcio!!!!
“Verificamos que os boletos foram emitidos 20 dias antes do vencimento,
porém
podem ocorrer extravios, por este motivo deixamos à disposição dos
consorciados a opção de imprimir os boletos pela internet www.cnvw.com.br,
pelo sistema eletrônico (talker) ou solicitá-lo pela central de
atendimento.”
Esqueci de dizer que o boleto não chegou na minha casa, mas o informativo
mensal “Contato” sim, chegou como chega todo mês: pelos correios. “Podem
ocorrer extravios” simplesmente, entendo como “você que se dane, seu bagre
otário, se esta conta não chegou por aí. Nosso negócio é armar a arara para
os lóquis como você”. E ainda “vamos continuar com este serviço terceirizado
porque sempre poderemos tranferir a responsabilidade quando ”podem ocorrer
extravios“ nas costas dos bagres otários”. Para imprimir os boletos via
internet, tenho que me identificar, identificar meus dados cadastrais,
revelar a tal senha (criptografada e que eu não confio) e permitir que um
hacker tenha acesso a isso. Não sou obrigado a confiar na internet, não
confio nem na internet dos bancos em que mantenho conta corrente e, se a
senhora realmente não leu, o que parece ser o mais correto, é um direito meu
não revelar meus dados por este meio. E ainda assim sobra o questionamento
sobre quem não tem a internet... “estes devem se danar mais do que você”.
“Lembramos que as cotas que não estiverem em dia, ou seja, que não foram
pagas até a data de vencimento automaticamente não participarão da
assembléia vigente.”
Que bonito!! “Mas se as cotas que não estiverem em dia se referirem às já
contempladas, yu-ruuuuú, nosso departamento jurídico também é
automaticamente acionado para reaver o bem e nosso departamento de
contabilidade imediatamente começa a calcular os juros para o seu próximo
boleto.”
Decepção, talvez seja simplesmente isto que estou sentindo em relação a
VOLKSWAGEN. Certa vez, tive problemas com meu freezer Eletrolux. Quando
procurei a assistência técnica perguntaram se o freezer ainda estava na
garantia. Como não estava mais (havia expirado o prazo da garantia havia
quatro dias), disseram para eu esperar de três a quatro dias que viriam
buscá-lo. E a comida que eu tinha estocado nele estragando. Procurei o
manual e descobri que só uma empresa dava assistência técnica a esta marca
aqui em Londrina (autorizada). Passei a mão no telefone e liguei para o
serviço de 0800 (eles têm!!!). Tomei vários chás de telefone (o similar
telefônico de chá de cadeira) e depois de muito irritado estourei. Acabei
recebendo uma ligação de volta, no mesmo dia, em que tentavam me explicar
que a autorizada estava muito sobrecarregada de serviços e que a demanda era
grande. Ouviram de mim que eu não queria consertar de graça (por ter
expirado a garantia a poucos dias) e que eu queria pagar pelo conserto, que
não me importava com isso desde que viessem rapidamente a minha casa
solucionar o problema para que eu não perdesse os alimentos que guardava no
freezer. Continuaram insistindo na tese absurda até que ouviram de mim:
“vocês fazem isso porque só tem uma autorizada em Londrina.” Se tivesse
duas, como outras marcas nacionais e tão e mais famosas que esta, eles
viriam correndo para não deixar o concorrente autorizado pegar o serviço.
Além de se envergonharem (pelo jeito) no mesmo dia um carro da empresa
autorizada estava na minha casa, trazendo na sua carroceria um freezer
reserva para eu ir agüentando as pontas. Pela demora exigi ser ressarcido
das perdas de mantimentos. Não indenizaram as perdas mas trocaram o motor e
devolveram o freezer funcionando sem qualquer ônus para mim. A partir deste
dia, todo eletrodoméstico que compro, verifico no manual quantas empresas
dão assistência à marca em questão aqui em Londrina. Se só uma faz isso, não
compro o eletrodoméstico. Com a VOLKSWAGEN do Brasil, não se pode dizer o
mesmo, muito embora a NORPAVE, que tanto é concorrente da CIPASA no varejo e
no consórcio, trata bem e dignamente seus clientes, como relatei no e-mail
que a senhora não leu. Por isto presto aqui meu tributo a esta revendedora,
sobretudo honesta, que trata bem e muito bem mesmo seus clientes (seus no
duplo sentido, seus da VOLKSWAGEN E da NORPAVE). Mas infelizmente para os
bons trabalhadores e diretores desta empresa sinto informar que apesar do
meu arrependimento em não tê-los procurado para a adesão de um novo
consórcio, nunca mais vou querer tal produto. Desejo à empresa NORPAVE muito
sucesso e tenho certeza de que assim será, ainda mais porque eles vão
receber cópias destes e-mails e poderão mostrar para seus clientes do
consórcio a grande diferença que existe entre ela e sua concorrente na
cidade.
E é por isso também, senhora, que de hoje em diante vocês ganharam um
garoto propaganda negativo. Alguém que não vai hesitar em arranhar a imagen
da VOLKSWAGEN do Brasil sempre que puder. Como trabalhador de uma empresa
multinacional, sei que o maior patrimônio que elas têm é a sua imagem.
Sempre que encontrar alguém pensando em fazer negócio com vocês vou
modificar um pouco seu slogan “VOLKSWAGEN-Você conhece? Você confia?”
Por ser dirigente sindical e entender que decisões deste nível
solicitadas por mim não cabem aos funcionários rasos, tomei o cuidado de não
nominar ninguém, para que nenhum deles venha a pagar com seu emprego pela
visão curta que esta empresinha tem.
E como já esperava por isso que está acontecendo é que decidi esta tarde
(a mesma em que recebi sua pífia resposta) ser alguém ANDANDO NA FRENTE. Fui
a uma revendedora CHEVROLET e resolvi apostar no slogan deles: “CONTE
COMIGO.” Desta forma, lamentável, é que encerro aqui minhas relações
comerciais com a VOLKSWAGEN do Brasil. Não desejo mal algum para ninguém
daí, nem para a empresa, mas espero de mim mesmo a firmeza de propósito de
nunca mais ter um automóvel VOLKSWAGEN.
E por favor, não é preciso responder a este e-mail
Publicado em 23 de setembro de 2003 às 02:41 por silvio
Abraços,
Vítor