silvio

Umas tantas coisas acontecem...

...e a gente nem tem tempo de parar pra pensar. Meu último
ano (do meio do ano passado pra cá) foi surpreendente. Muita
coisa mudou, menos o amor pela minha mulher e minha filha.
Minha mulher tem sido um tremendo suporte. Se não fosse ela
do meu lado nem sei o que seria de mim. A Ana é uma
guerreira. E é muito bom estar casado com ela. Uma
companheirona a todas as horas.

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Minha filhinha está demais. Fala direitinho, concatena idéias
com uma espantosa habilidade para seus quatro aninhos. E está
um barato!!! Outro dia falei:
- Diz “eu te amo”.
- Eu te amo.
- Dez vezes (para ela dizer “eu te amo” dez vezes seguidas).
- Dez vezes!
E daí quando quer me agradar sempre diz: “papai, eu te amo dez vezes”.
A danadinha é que nem vinho: quanto mais velha, melhor.
Que boas energias ela me passa.
Naturalmente, por ser mulherzinha, ela tem muito mais
intimidade e afinidade com a mãe, até pelo tempo em que
passam juntas. Mas eu e ela batemos bem um com o outro. Adoro
quando saímos sozinhos, só eu e ela. Aquela coisinha fica
toda toda para o meu lado. E a mãe, ufa, tem um descanso. A Ana Cláudia tem uma energia interminável. Se ficamos acordados até tarde, ela acompanha. Lógico que no outro dia dorme até tarde.

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A escolinha que ela estava fechou. Fomos para uma outra, bem
conhecida e tradicional. Na primeira reunião com os pais, um
mês e tanto depois do início das aulas, muitas revelações.
A professora, ao ser indagada se ela dava trabalho:
- Não, a Ana Cláudia é bem independente, sabe o que quer e
pouca coisa a aborrece. Gosta de comandar, e a criançada vai
na dela.
Uau!!! Que orgulho, e seguiu a conversa.
- Ela é agressiva com as crianças?
- A Ana Cláudia não é dessas crianças que choram por nada ou
que se intimidam quando alguém quer pegar o que é dela ou
está com ela. Ela não leva desaforo pra casa, ELA RESOLVE!!!
Olha só, ela resolve. Assim mesmo, “ela resolve”!
Imagina a vontade que deu na hora de pegar e apertar a
safadinha. E quanto sermão ela não ouviu pra não bater na
criançada?!

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Em janeiro fiz vestibular, na UEL, para Direito e passei. O
nível das provas estava uma vergonha. E mais vergonhoso ainda
foi ver a meninada afiada de cursinho reclamando da
dificuldade das provas. Das pessoas que fazem parte do Tipos
e que eu conheço, nenhuma deixaria de passar. Muito fácil,
mesmo sem estudar nada, ir para as provas como franco
atirador (tenho a impressão que já escrevi isso num post aqui
no Tipos, nem fui reler o que já postei antes. Se isso
aconteceu, desculpe você que leu e está tendo que ler de novo)
e papar uma vaga.

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Fiquei tanto tempo sem escrever aqui no Tipos que perdi meu
lugar na lista de nomes do “Mundo original”. Na verdade nem
tenho tido muito tempo de escrever, por isso andei devagar
com o Tipos. Se estar de volta alegra a você que lê, obrigado. Se
te chateia, sinto muito.

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O bom de tudo foi saber que o site ganhou um patrocinador. O
Moraes não tem mais que ficar cobrando niguém, nem ameaçando
os atrasadinhos (nos quais eu me incluo) de congelamento. E
nós não temos mais que depositar dinheiro na conta do cara.
Valeu Moraes.

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Vi um monte de gente que participava comentando os posts, e
que não tinha um blog próprio aqui no Tipos, com um blog
todinho seu agora. A comunidade aumentou. Muito mais gente
pra trocar idéias, pra ter com quem falar e para aprendermos
também. Sempre que posso indico o endereço do Tipos para as
outras pessoas.

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O pessoal da minha turma de Direito mesmo já visitou o site.
Leram a minha saga contra a VolksWagen. Disseram que
percorreram outros blogs e que gostaram do que viram.

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Mas um ano é tempo demais, e muita coisa acontece. Eu
praticamente vaguei neste primeiro semestre na UEL. Três
disciplinas estão sem professores até agora. E estamos de
férias. Outras quatro eu eliminei (Lógica, Economia,
Filosofia e Sociologia). Uma outra, o professor morreu e o
substituto levou um mês e meio para assumir. Na verdade fiz
apenas três matérias neste primeiro semestre.

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No Dia das Mães, tive um enfarte agudo do miocárdio. Brinquei
de pega com a Ana Cláudia em volta das mesas onde fazíamos o
churrasco. De repente uma sensação incômoda no peito. Parecia
uma coisa que atravessava a parte de baixo do coração, de
cima pra baixo e da direita para a esquerda. Não doía, apenas
incomodava. “Puta que o pariu, filha da puta, não acredito,
estou tendo um enfarte”. Sentei pra ver se passava, fiquei
quieto no meu canto, não falei nada para ninguém. Não queria
acreditar que tinha acontecido, mas tinha certeza que era.

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Agüentei um bom tempo. “Pode ser gases, dor(?!) muscular...”
Mas aquela coisa incômoda, que eu não conseguia definir como
dor, veio firme. Sentado e isolado, me curvei pra lá, pra cá,
apoiei o tronco sobre a mesa... e nada. A coisa continuava
lá. Meu pai cochilando no carro, a Ana, minha mãe e minhas
tias jogando baralho. Eu olhava todos e não me conformava. “
Vou esperar mais um pouco, pode ser gases ou só impressão
minha”. Não queria crer.

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Olhei minha filhinha brincando com seus primos adolescentes.
Cheia de vida, alegre. E a coisa não ia embora. Espreguicei
para cessar o mau jeito que eu queria acreditar que era.
Nada! E o tempo passando, passando, e a sensação lá, firme me
consumindo aos poucos. “Filha da puta, não acredito...que
porra!”

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Meia hora depois resolvi soar o alarme. Avisei que não estava
bem e que tinha que ir para o hospital. Andei até o carro,
minha tia dirigiu. Parece que foi só admitir que a coisa foi
ficando pior. A sensação de mal estar avolumou-se
magnificamente. Minha tia dirigindo, para trás ficaram meu
pai e minha filhota, chorando assustada: “não vou ter mais
pai?”, me contaram depois.

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Pela frente, apesar do domingo, uns vinte minutos de trânsito
até chegar ao hospital. Já fiz este caminho um monte de vezes
(do conjunto lindóia, onde era a chácara em que estávamos,
até o centro). É rapidinho. Mas enfartado parece uma
eternidade. Minha tia passou uns dois sinais com vídeo vigia.
Uma das multas já chegou. Mas que longo caminho.

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A Ana estava passada. No banco de trás com minha mãe, não
conseguia abrir a boca. Em sete anos perdeu sua família
inteira e ficou sozinha. O irmão num acidente de carro, o pai,
dois anos depois, de enfarte e a mão de derrame, uns três
meses antes de nos casarmos. Foi um baque para ela o meu
estado. Imagino as sensações ruins que lhe vieram a mente.

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Mas pelo tempo em que comecei a sentir a coisa, a intensidade
com que veio e minhas parcas e divagantes lembranças e
conhecimentos sobre o assunto, sabia também que não era o fim
do mundo. Mas sabia, lá dentro de mim, que era um enfarte,
embora não quisesse acreditar, ou me conformar. Não entreguei
os pontos. No caminho elas me perguntavam o que era e eu
dizia que era um troço chato no peito. Perguntavam se era dor
e eu dizia a verdade, que não era. Não queria que ninguém se
agoniasse antes da hora, embora isso já estivesse
acontecendo. Puxei outros assuntos no trajeto até que não deu
mais. A coisa foi ficando mais intensa.

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No Hospital Evangélico sai dobrado do carro. Não conseguia
mais ficar ereto. Fui andando curvado para dentro do pronto
socorro. Minha mãe já tinha entrado correndo na frente
pedindo uma maca. Minha mulheu foi gritando que era uma
emergência. A maca veio de encontro a mim. Quase sem forças
pelo mal estar, consegui deitar de bruços. Tinha que me
virar. Que sufoco.
- Vai desabotoando a camisa, senhor, disse a enfermeira.
Outra já veio e achou de prima a minha veia do braço. Estava
no soro.

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Foi feito um eletrocardiograma urgente. Na maca do lado,
sendo atendido, outro enfartado. “ Tá doendo ainda, doutor, a
dor não passou”.
- Injeta mais, nem me lembro o que era, mais tantos miligramas
- Ainda não passou.
- Já estamos preparando a sala para você, por favor espere um
pouco que já vão vir te buscar.
- O que é, um ernfarte? perguntei na vã esperança de que não
fosse.
- Um enfarte, você está enfartado e vai fazer um cateterismo.
Já estão preparando a sala de cirurgia pra você.

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Tomei um comprimidinho que me deixou mole, apagando. Quando
acordei um enfermeiro me raspava a virilha.
- Puta que foda hein, raspar saco de homem.
- Normal, todo dia tem mais de um.
Apaguei de novo.

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Na próxima acordada, outro médico fazia o cateterismo. Tinha
introduzido o catéter pela artéria femoral e já estava quase
chegando no coração.
- E aí doutor?! É séria a coisa?
- Quanto tempo faz?
- Que horas são agora?
- Dez para as três.
- Uns 50 minutos.
- Não deve ser muito grave, não. Você veio rápido
Putz, se tivesse vindo logo de cara teria sido menos grave
ainda, apesar de que um enfarte é um enfarte.
- O que você sente?
- Agora sinto dor, mas não começou doendo, não.
- Já estamos quase chegando, olha lá o seu coração.
Olhei pelo monitor e via a imagen dele e das artérias em
contraste que devo ter ingerido enquanto dormia. Minhas
coronárias lá, aparecendo, intumescidas com o sangue
circulante.

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- Olha o trombo lá, está vendo estamos chegando nele e...
olha só, foi embora. Só de chegar com o catéter perto
desobstruiu.
Senti como que se a dor tivesse sido tirada com a mão. Que
sensação gostosa. Que coisa aliviante. Aquele negócio ruim,
aquela coisa deprimente, aquele peso... tinha acabado.
- Sentir dor é bom. Só dói o que está vivo. Você veio rápido
para cá. o músculo cardíaco agüenta até seis horas infartado.
- Doutor, avisa minha mulher. Faça um favor pra mim urgente.
Mande alguém lá fora lhe dizer que eu estou bem e que pedi
que lhe dissessem que eu a amo e que nada vai acontecer
comigo. Ela já perdeu muita gente de sua família e deve estar
desesperada lá fora. Faz isso pra mim, faz. Diz pra ela ficar
aí na saída que na hora em que eu for para o quarto quero
falar com ela e lhe dar um beijo. Diga pra ela confortar
nossa filhinha enquanto eu estiver fora que eu já vou pra
casa. Não deixa ela esperando, não, por favor.
- Pode deixar, antes de ir pra UTI vocês vão se encontrar.
- UTI?
- UTI, você vai para a UTI cardíaca, a UCO (Unidade
Coronariana)
- Por quê,. é tão grave assim?
- Ainda vamos fazer uma angioplastia em você. Vamos pôr um
stent em seu coração.

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Que bom encontrar a Ana na saída da angioplastia. Ela veio do
lado da maca, da saída da sala até o elevador. Segurei forte
a mão dela e fomos dando bicoquinhas enquanto conversávamos
durante todo o trajeto. A merda é que só nestas horas conseguimos perceber o quão importante as pessoas são nas nossas vidas. Só quando a água bate na bunda é que nos damos conta. Mas foi muito bom este amor ter reacendido, mesmo que nestas circunstâncias. Não sei o que deu em mim, mas não conseguia pensar em outra coisa que não fosse nela. Até a Ana Claudinha ficou em segundo plano.

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A UCO do H.E. é deprimente. Fica no porão do hospital, tem aparência suja e tudo lá é velho, enferrujado e parece estar caindo aos pedaços. Não podia levantar, nem mexer minha perna direita, pois o “furo” para passar o catéter ainda não estava com o fechamento consolidado. Tive que urinar naquelas horríveis comadres. Encostar o baita (desculpem a falta de modéstia hehe) naquele metal frio e que nem sabemos se é limpo adequadamente depois que é usado. Aquele monte de gente em estado terminal, gemendo. Que horrível, não queiram passar por isto.

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Depois de dois intermináveis dias na UCO, mais um dia no quarto. E fui convalescer na casa da minha mãe. Mudamos para lá. Um mês de repouso absoluto, sem aulas, sem trabalho, à toa. Foi bom enquanto durou!

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Curti minha família adoidado. A Ana chegava do trabalho, a Ana Cláudia da escola e as duas lá, mais papai e mamãe, todos do meu lado, me paparicando. A Ana Cláudia é um show.
- Papai, cê tá com dodói no coração? Tá doendo? Deixa eu ver.
E acabava se emocionando e chorando se não contornássemos a coisa.
Tomava banho com o vovô todos os dias. E que farra fazia no box.
Também divertia, com sua espontaneidade, a todas as visitas que recebi. Mas ela estava muito putinha da cara de estar longe da casa dela.
- A gente não vai mais embora, não? Quem tá na nossa casa?

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E um dia a moleza acabou. Estava de alta, com restrições, mas estava de alta. Voltei a trabalhar e a estudar. E aproveito estas curtas férias da UEL para matar a vontade de escrever aqui.
Tomando remédios e cuidados, vou levando a vida que me leva.
Enfartei com 136 quilos, já estou com 123. Tenho que perder mais uns 40 ainda. E quero fazer isso até o final do ano. Fisioterapia dia sim, dia não vai me ajudar. Não puxo, não empurro, não carrego e não forço. Tudo tem que ser numa boa, na tranqüilidade. E assim vai sendo.

Publicado em 31 de julho de 2004 às 01:06 por silvio

Comentários

    • Que história, Silvio. Fique bem, rapá.
    • por Paulo Briguet
    • 31.Jul.2004 às 03:52 - Permalink - Reportar
    Paulo Briguet
    • o modo como você contou uma história triste ficou ótimo: com sensibilidade, e ao mesmo tempo sem meias palavras. também espero que esteja tudo bem. um abraço.
    • por canetti deslogado
    • 31.Jul.2004 às 08:20 - Permalink - Reportar
    canetti deslogado
    • Putz, Sílvio. Eu não sabia que tinha acontecido tudo isso com você. Espero que você esteja 100% novamente. Senti falta de seus posts aqui no Tipos. Eu também preciso me cuidar para não ter nenhum problema cardíaco. Histórico familiar grave. Mas o ignorante aqui sempre vai empurrando o regime com a barriga...Abraços e muita saúde para você.
    • por kenji
    • 31.Jul.2004 às 08:59 - Permalink - Reportar
    kenji
    • Bito (eu adoro a história do seu apelido...),

      que bom que vc está bem. Nossa, fiquei com o coração apertado de ler tudo isso. Ótima recuperação pra vc.
      Um abraço,
    • por carina
    • 31.Jul.2004 às 12:25 - Permalink - Reportar
    carina
    • O texto começa leve e evolui para uma angústia enorme. Compartilha o que sentiu com muito realismo. Desejo melhoras. E sua filha é mesmo linda.
    • por ester_
    • 31.Jul.2004 às 16:50 - Permalink - Reportar
    ester_
    • silvio, vc achava que eu era o moraes! ou melhor, que o moraes era eu! recebi dois e-mails seus, dizendo que eu era o moraes... e contando a história do enfarte para “mim”. acredite: eu existo mesmo! não sou mais uma das facetas do moraes! espero que seu coração agora esteja bem! abraço!
    • por zero
    • 31.Jul.2004 às 21:21 - Permalink - Reportar
    zero
    • ah, e este relato foi mesmo muito bem feito, conforme já elogiado anteriormente.
    • por zero
    • 31.Jul.2004 às 21:22 - Permalink - Reportar
    zero
    • Valeu galera! Muito obrigado pela força. Um episódio desses revela muitas coisas. Descobri (enxerguei) que minha vida é maravilhosa!
    • por silvio
    • 01.Ago.2004 às 00:54 - Permalink - Reportar
    silvio
    • Silvio! Força aí e boa recuperação. Tenho certeza de que rodeado de amor, vc fica bom logo logo. Tudo de bem!!!!
    • por Janaína, a Ávila
    • 01.Ago.2004 às 17:05 - Permalink - Reportar
    Janaína, a Ávila
  1. al
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